A Canonical anunciou planos para introduzir a primeira ferramenta baseada em inteligência artificial no Ubuntu, com lançamento previsto para a versão 26.10. O recurso funcionará de forma totalmente local no computador do usuário, priorizando a privacidade e permitindo fácil remoção.

O ecossistema do núcleo Linux tem adotado uma postura bastante cautelosa em relação às ferramentas de inteligência artificial, refletindo a relação complexa do criador do sistema, Linus Torvalds, com essa tecnologia emergente. No entanto, o cenário começa a mudar no ambiente das distribuições, e a Canonical, empresa responsável pelo desenvolvimento do Ubuntu, deu o primeiro passo oficial ao revelar sua ferramenta inicial voltada para inteligência artificial. A novidade foi divulgada por Jon Seager, líder de engenharia da Canonical, durante uma reunião direcionada à comunidade de desenvolvedores e utilizadores. Diferente das abordagens tradicionais baseadas em conversas por chat de texto, o plano da empresa consiste em implementar um sistema de digitação por voz versátil. A ferramenta foi projetada para operar em qualquer cenário onde o teclado seja normalmente necessário, integrando-se de maneira fluida às atividades cotidianas dos utilizadores, seja na redação de mensagens, no preenchimento de documentos ou na busca por conteúdos online. Com esse recurso, o utilizador apenas fala e o computador transcreve o texto instantaneamente. Um dos pontos centrais e mais significativos dessa iniciativa para a comunidade de código aberto é o fato de o processamento ocorrer integralmente de forma local. O sistema do Ubuntu não envia conversas ou dados de voz para servidores externos de grandes corporações. Tudo é executado diretamente dentro do computador pessoal. A Canonical reconhece a resistência histórica dos utilizadores de Linux a mudanças bruscas e à perda de privacidade e segurança, especialmente no que tange a implementações corporativas de inteligência artificial. Por esse motivo, a ferramenta tem previsão de chegada nativa no Ubuntu 26.10, mantendo a flexibilidade de poder ser desinstalada com apenas um clique, tal como qualquer aplicativo comum. Dessa forma, a empresa busca evitar imposições indesejadas, diferenciando-se de outras iniciativas do mercado, como o recurso Copilot da Microsoft no Windows. Desenvolvido para atuar como um assistente de escrita leve, o software foi otimizado para rodar satisfatoriamente em computadores portáteis convencionais presentes nas residências da maioria das pessoas. Além disso, por se tratar de um projeto de código aberto, a comunidade de programadores terá total liberdade para modificá-lo. Como nenhum dado de voz é transmitido a servidores externos para fins de comercialização, a privacidade do utilizador permanece intacta. A Canonical também estuda expandir o uso dessa tecnologia no futuro para outras finalidades práticas, como auxiliar na localização de arquivos perdidos entre as pastas ou acelerar a abertura de programas com base na rotina diária. Contudo, a empresa prefere avançar gradualmente, avaliando como a comunidade receberá estas novas capacidades tecnológicas.